Uma breve revisão da história da Amazônia dá uma ideia de como as florestas tropicais são essenciais para o mundo. Ocupando 12% da superfície do planeta, elas oferecem a solução para a atual crise climática e ilustram como a catástrofe ocorreu.
Além de confrontar os horrores do passado, infligidos pelo Ocidente "iluminado", a história também mostra como crimes seculares contra pequenos grupos, justificados pelo pensamento "nós contra eles" (que inclui o excepcionalismo humano diante de todas as outras espécies), têm consequências globais de longo prazo.
Geralmente escondida entre outros fatos e números, a estatística mais trágica e chocante que define o fenômeno que é a Amazônia hoje é está: Em 400 anos, a população indígena amazônica foi reduzida de cerca de 6 milhões para cerca de 200 mil hoje.
Tudo o que vemos na atual catástrofe climática está, de alguma forma, relacionado a isso. Pessoas, animais, pássaros, plantas, habitats, rios, solo, ar, calor, ventos, chuva, antes interconectados, foram danificados a tal ponto que as interações vitais foram interrompidas, afetando todo o planeta. Ursula Le Guin resume isso com seu título de 1972: "Floresta é o nome do mundo".
Em 400 anos, a população indígena amazônica foi reduzida de cerca de 6 milhões para cerca de 200 mil hoje
Mas a situação das florestas tropicais não é ficção científica. Se os habitantes da selva sempre entenderam seu habitat como um mundo, um cosmos, um todo bem ordenado, também sabem que danificar a selva significa danificar o mundo, talvez irreparavelmente.
Nomenclatura da Amazônia
A história dos nomes geralmente vai ao cerne da questão. "Amazonas", que – dependendo da língua – refere-se tanto ao rio, quanto à área geral da bacia hidrográfica e à floresta tropical, conta a história dos povos indígenas e da invasão colonial. O nome generaliza várias entidades, cada uma delas muitas vezes conhecida por vários nomes.
Em termos gerais, os nomes múltiplos se referem à época pré-colonial e o nome único à identidade colonial e pós-colonial ou, em outras palavras, às histórias de insiders e outsiders, à intimidade detalhada do habitat e à voracidade dos outsiders.
Antes que os invasores ocidentais chegassem às costas da América do Sul, o rio, a região e a selva não tinham um nome geral. Cada cidade tinha seu(s) nome(s) próprio(s) de acordo com a área que ocupava e suas tradições culturais e linguísticas. Os povos Tupi-Guarani chamavam o rio de Paranaguaçu, que quer dizer Grande Parente do Mar, enquanto para os Amara Mayu era "Mãe Serpente do Mundo".
Os conquistadores tiveram outra ideia: conquistar um território e tudo o que há nele. Em 1500, o comandante espanhol Vicente Yáñez Pinzón o batizou de rio Santa María de la Mar Dulce (Santa Maria do Mar Doce), impondo assim o motivo religioso católico – e virginal – inspirado nas grandes dimensões do rio. Em 1515, já era conhecido como rio Maranhão (Marañón, em espanhol), nome que alguns acreditam derivar da palavra maraña (emaranhado em português), referindo-se neste às raízes submersas no rio que impediam a navegação de barcos pesados (mas não das pequenas embarcações indígenas).
Em 1541, Francisco de Orellana fez a primeira descida do rio desde os Andes até o mar. Acredita-se que, após uma batalha com um povo Pira-Tapuya em 1542, na qual as mulheres lutaram ao lado dos homens, ele passou a se referir ao "rio das Amazonas", evocando a linhagem mítica de mulheres guerreiras asiáticas das Amazonas, descritas pelos gregos Heródoto e Diodoro. A palavra pode derivar do iraniano ha-maz-an (lutar junto) ou, mais popularmente, do grego Amazōn (a- 'sem' + mazos [mastos] 'peito'), porque as amazonas supostamente cortavam o seio direito para poder manejar melhor o arco.
As "maravilhosas guerreiras" foram descritas pelo pároco da expedição, Fray Gaspar de Carvajal: "O índio disse que eles são súditos e tributários das Amazonas e, quando souberam de nossa chegada, foram até elas para pedir ajuda, e chegaram dez ou doze, que vimos, lutando na frente de todos os índios como capitães, e lutaram tão ferozmente que os índios não ousaram virar as costas, e quem virou as costas na nossa frente foi espancado até a morte".
O tropo virginal e fascinante reapareceu meio século depois, quando Walter Raleigh, escrevendo para seus financiadores de Londres, descreveu a Guiana como um "país ainda virgem; nunca saqueada, virada ou forçada; a face da terra não foi rasgada... nunca conquistada nem possuída". Como diz Ed Simon, "há uma conexão entre a retórica do paraíso de Raleigh e seu vocabulário de conquista de gênero - ambos os tipos de linguagem apresentam a terra em termos idealizados e ambos preveem um privilégio por parte do colonizador de explorar essa terra".
No entanto, alguns estudiosos acreditam que "Amazonas" vem da palavra tupi transcrita como amassona (sistemas de raízes entrelaçadas de plantas hidrofílicas, as mesmas que os invasores classificaram como destruidoras de barcos).
Seja como for, o nome sugere diferentes formas de conceber a Amazônia: conquista, valores quantitativos estrangeiros, homogeneização e saque em massa versus convivência com as particularidades de seus diferentes lugares e espécies. Da mesma forma, a Amazon, que aparece como número 1 no ranking da Slate das empresas de tecnologia mais perversas, apropriou-se do nome do rio mais longo do mundo.
Uma Amazônia profundamente humana
Evidências do sítio arqueológico Caverna da Pedra Pintada em Monte Alegre, no Pará, sugerem que pelo menos 11,2 mil anos atrás havia assentamentos humanos na região que viviam de caça e coleta na floresta tropical e seus rios.
Grupos de caçadores/coletores foram substituídos por vilas de pescadores no início do Holoceno (cerca de 9700 a.C.), que começam a praticar a horticultura e a difundir o uso da cerâmica até que, cerca de 2 mil anos atrás, surgem sociedades agrícolas populosas e complexas.
Cerca de 11,8% das florestas amazônicas são antropogênicas
Estudos recentes sugerem que os assentamentos pré-históricos incluíam áreas de cultivo, estruturas em áreas úmidas, estradas e obras públicas, como praças, fossos e pontes, combinados com paisagens agrícolas e parques. Grupos sociais extensos incluíam chefaturas, especialmente em regiões entre rios, e até mesmo grandes vilas e cidades.
Consequentemente, as distribuições atuais de solo e elementos bióticos, que muitas vezes coincidem com a dispersão de características arqueológicas, são principalmente o resultado de estratégias de manejo de terras pré-colombianas. Os assentamentos humanos eram muito mais difundidos do que se pensava anteriormente, não apenas perto de grandes rios, mas também perto de pequenos riachos, sugerindo que a população pré-colombiana era muito maior do que se estimava anteriormente.
Acredita-se que os primeiros habitantes da floresta criaram um "mosaico de florestas naturais, campos abertos e seções de florestas manejadas de modo a serem dominadas por espécies de interesse especial para os seres humanos". Assim, cerca de 11,8% das florestas amazônicas são antropogênicas.
Um exemplo do impacto do assentamento humano primitivo é a terra preta de índio, terra antropogênica que os povos pré-colombianos usavam para melhorar áreas de baixa fertilidade do solo. Acredita-se que tenha se originado entre 450 a.C. e 950 DC em diferentes locais em toda a bacia amazônica e sua cor vem do teor de carbono intemperizado derivado de ossos, cerâmica quebrada, composto e esterco, adicionados ao solo tropical de baixa fertilidade.
Muitas áreas de terra preta são encontradas em torno de antigas cozinhas, além de terem sido intencionalmente produzidas em maior escala. Assim, um dos primeiros indícios do conhecimento indígena aparece no próprio solo. Ao contrário de hipóteses como a apresentada no influente livro "Amazônia – A Ilusão de Um Paraiso" (1971), da arqueóloga Betty Meggers, que defende a impossibilidade de sustentar grandes populações por meio da agricultura devido ao solo pobre, o uso indígena da terra preta criou áreas de grande fertilidade.
Isso é importante porque as formas como os povos indígenas aproveitaram os processos naturais de formação da paisagem podem transformar a compreensão atual da influência humana na Amazônia, abrindo novas fronteiras para o uso sustentável das florestas tropicais, agora quase em fase terminal.
Exploração, genocídio e borracha
No entanto, a conquista europeia rapidamente destruiu e dizimou essas antigas sociedades. Um estudo recente estima que, nos primeiros cem anos, colonizadores europeus, exploradores, conquistadores, missionários e bandeirantes (garimpeiros e traficantes de escravos) mataram ou causaram a morte por doenças de cerca de 56 milhões de indígenas nas Américas.
Nos primeiros cem anos, colonos europeus mataram ou causaram a morte de cerca de 56 milhões de indígenas nas Américas
As populações sobreviventes foram forçadas a se estabelecer em terras pobres nas novas periferias, onde, cercadas por forasteiros, sobreviveram por meio da agricultura itinerante e da coleta de alimentos, mas mantendo algumas tradições de seus ancestrais assentados. Por 350 anos após a chegada dos primeiros colonizadores, grande parte da Amazônia, que antes era nutrida, foi negligenciada.

A interferência não foi apenas local ou temporária. Essas mortes mudaram o clima global. A quantidade de terras abandonada afetaram o CO2 atmosférico e as temperaturas do ar na superfície global nos dois séculos que antecederam a Revolução Industrial.
O genocídio foi um dos principais fatores que intensificaram os efeitos da Pequena Era Glacial (séculos XIV a XIX), indiretamente provocando mudanças na sociedade, geografia, economia e história europeias. Isso porque os recursos naturais – saqueados e transportados do Novo Mundo – permitiram a expansão da população e das cidades, levando as pessoas a abandonaram a agricultura de subsistência para trabalhar nas primeiras indústrias em troca de salários e comprar novos produtos em mercados que dependiam de pilhagem em massa.
Talvez mais do que qualquer outra planta, a seringueira representa os efeitos devastadores locais e geopolíticos mais amplos das incursões externas na Amazônia em nome do "progresso". A partir do último quarto do século XIX, está associada às origens da indústria automobilística – cujas inúmeras repercussões na atual catástrofe climática estão bem documentadas – e à formação de uma pequena e impiedosa elite que, além dos automóveis, prosperou extraordinariamente fornecendo pneus para as necessidades de transporte dos militares na Primeira Guerra Mundial.
O outro lado da história é a exploração e o genocídio dos indígenas, que usavam o látex há centenas de anos para fazer panelas e lençóis impermeáveis, assim como simplesmente para brincar, como testemunhou Colombo, que viu os Arawakos brincando com estranhas bolas que quicavam.
A demanda crescente e o aumento dos preços da borracha levaram a uma concentração desigual da atividade em algumas regiões amazônicas, levando ao crescimento desordenado das cidades próximas. Cidades como Belém e Manaus, no Brasil, e Iquitos, no Peru, dotaram-se dos primeiros serviços públicos e edifícios ostensivos como o Teatro Amazonas e o suntuoso Palácio da Justiça, em Manaus, e a Casa de Fierro, projetada por Gustave Eiffel, em Iquitos. A extravagância incluía bordéis com adolescentes trazidas de Paris, Bagdá e Polônia, enquanto os barões da borracha mandavam sua roupa suja para ser lavada em Londres ou Lisboa, para evitar as águas turvas do Amazonas.
Em 1921, Henry Ford, para não depender da borracha controlada pelos britânicos, convenceu o governo dos Estados Unidos a pressionar o Brasil a ceder 120 km do rio Tapajós à Ford Motor Company e a financiar a construção de Fordlândia. O sonho megalomaníaco consistia em tomar 2 milhões de hectares de fileiras de árvores, com 4 m de distância entre elas, de floresta e criar uma comunidade "autossuficiente" e "modelo" de 5 mil habitantes cujos filhos seriam os "futuros conquistadores da Amazônia". E o "ícone cultural" Walt Disney promoveu a idea através do filme, "The Amazon Awakens", sobre o novo amanhecer brilhante que a Fordlândia representava para o mundo. Mas a natureza contra-atacou. Uma praga de fungos e insetos acabou com o sonho.
Implacável, Ford repetiu a loucura com 3 milhões de seringueiras em Belterra, no Pará. A natureza venceu novamente. Não é preciso dizer que os povos indígenas pagaram o preço do empobrecimento, da subjugação, do trabalho forçado, da escravidão por dívida, do estupro, da tortura, da mutilação e do assassinato, crimes que Norman Lewis detalha em seu famoso artigo de 1969 intitulado "Genocídio". Por exemplo, em 1910, após uma investigação de dois meses sobre a Peruvian Amazon Company, o diplomata Roger Casement concluiu que, para cada tonelada de borracha extraída, sete vidas indígenas haviam sido perdidas desde 1900.
O declínio do ciclo da borracha foi acompanhado por ramificações globais assassinas. Um fator importante foi um caso inicial de biopirataria, quando os britânicos plantaram sementes de seringueira na Malásia, Ceilão, Indonésia e África subsaariana. Assim, a exploração da Hevea brasiliensis passou a ter outros efeitos que se desdobraram no cenário mundial, principalmente depois que os Estados Unidos passaram a copiar as medidas repressivas britânicas.
Na Malásia, as plantações de seringueira desempenharam um papel importante na Emergência (1948 a 1960), na qual a Grã-Bretanha enviou 40 mil soldados para proteger o negócio. No processo, o país foi pioneiro no uso do Agente Laranja, usou bombardeio generalizado, armas incendiárias e campos de internamento ("New Villages " para os britânicos, "cidades estratégicas" para os EUA no Vietnã) para prender cerca de 500 mil camponeses.
O Ocidente conhece a história do ciclo da borracha através do relato de Werner Herzog sobre o feito "heróico" de um visionário amante da ópera em seu filme "Fitzcarraldo" (1982). No entanto, o documentário sobre a realização deste filme, "Burden of Dreams", mostra como a arrogância e a ignorância continuam a dominar as concepções e representações dominantes sobre a Amazônia e sua exploração.
O ciclo da borracha foi tão violento que sobrevive nos mitos das tradições orais amazônicas. As filhas e netas de mulheres estupradas por barões da borracha continuaram a ser estupradas como empregadas domésticas de seus descendentes.
Os efeitos colaterais modernos incluem tráfico humano, turismo sexual infantil, derramamentos de óleo e destruição de habitat. Como consequência, a área de fronteira entre o Peru e o Brasil tem a maior concentração de indígenas isolados. Isso não é acidental. Muitos são descendentes de pessoas que fugiram para a selva profunda para escapar da violência.
Visão de mundo indígena
Uma história intergeracional contada hoje pelos Kukama do baixo curso do rio Maranhão, no Peru, é a de uma criatura parecida com uma onça que dormiu com os seringueiros e depois entrou no acampamento para matar todos eles, cortando suas gargantas e sugando seu sangue. Mas a onça é um predador seletivo, que pega apenas a presa de que precisa. O animal que matou humanos e bebeu seu sangue não era uma criatura da Amazônia, mas o barão da borracha, que ainda vive na memória local.
Essas narrativas tendem a ser não lineares, menos preocupadas em contar exatamente o que aconteceu do que em tentar "socializar os eventos do passado para que possam ser incorporados à memória coletiva de uma forma que faça sentido dentro da cosmovisão indígena", além de sustentar a identidade cultural. As culturas indígenas da Amazônia são inseparáveis de todos os seus ambientes e modos de vida.
É claro que o conhecimento indígena não é homogêneo. Nas várias florestas tropicais do mundo, as pessoas interagem com seu meio ambiente de maneiras historicamente diversas, o que significa evitar soluções superficiais e rápidas e dar a devida atenção a ecossistemas únicos que, por sua vez, beneficiarão a biodiversidade.
Os povos indígenas são os guardiões mais eficazes da Amazônia, mas somente se seus direitos sobre seus territórios são reconhecidos e protegidos
Estudos recentes mostram, com evidências estatísticas baseadas em 245 comunidades, que os povos indígenas da Amazônia são os guardiões mais eficazes das florestas, mas somente se seus direitos plenos sobre seus territórios forem formalmente reconhecidos e protegidos.
Proteger a Amazônia e suas vidas significa automaticamente respeitar os direitos humanos. Proteger a Amazônia requer entender a floresta tropical, não como um paraíso virgem devastado pelo progresso capitalista, mas como um antigo habitat humano. As pessoas de fora veem árvores, pássaros e rios, mas os povos indígenas percebem um universo de histórias, sonhos e o sussurro dos ancestrais. As árvores são seres sencientes dotados de espíritos, memórias e história. A Amazônia é um repositório de histórias e cantos, passadas de geração em geração.
Assim, os valores essenciais da reciprocidade, do cuidado e da convivência pacífica orientam os atos morais dos seres humanos e dos demais seres, também eles sencientes, numa forma de sustentabilidade tradicional muito diferente das concepções ocidentais da palavra. Um exemplo é o World Wildlife Fund (WWF), que é acusado de conluio no despejo, tortura e morte de aldeões através de métodos de conservação de "fortalezas" não muito diferentes dos métodos empregados pelos barões da borracha quando "mantinham" suas árvores .

Em suma, na Amazônia "é impossível ter uma vida se estivermos separados ou desvinculados de outros organismos humanos ou não humanos". Diferentes formas de conhecimento e sistemas de valores "desempenham um papel crucial na formação das ideias indígenas de sustentabilidade em toda a Amazônia", uma vez que as concepções cosmológicas nas quais muitas comunidades indígenas não aceitam a dominação humana sobre a natureza estão no centro de suas noções de sustentabilidade.
Portanto, "as noções de relacionamento com os não humanos desempenham um papel importante na criação ou no bloqueio de incentivos para o manejo sustentável da vida selvagem (...) A compreensão e o reconhecimento adequados dos princípios epistêmicos, filosóficos e cosmológicos subjacentes às práticas de gestão dos povos indígenas são, portanto, fundamentais para garantir sua sustentabilidade em longo prazo (...) Os povos indígenas devem fazer parte de qualquer conversa ou debate sobre opções de políticas relacionadas a questões de sustentabilidade.
Talvez, diante da grave situação pela qual passa o planeta, o ser humano poderiam – precisam – aprender com o antropólogo Roy Wagner e sua obra pioneira "A invenção da cultura". Se a cultura indígena é vista como "tradicional" e preocupada em garantir a continuidade, a permanência e a conservação, Wagner a vê como orientada para a transformação, a improvisação e a inovação.
Nesse sentido, a cultura não é normatividade ou coerção externa, mas criatividade conceitual ou, em outras palavras, um exercício de invenção. E, neste momento, se quisermos que as florestas continuem vivas, precisamos urgentemente desse tipo de invenção devota.
