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Sobre a guerra em Gaza

Israel passou de 'espaço-cídio' para genocídio, enquanto a comunidade internacional continua incapaz de reagir

Um grupo de palestinos deslocados pela guerra se aquece com uma fogueira improvisada
Um grupo de palestinos deslocados pela guerra se aquece com uma fogueira improvisada em frente à sua tenda em Khan Yunis, Gaza, em 15 de novembro de 2023
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Sei que é difícil, emocional e mentalmente, refletir quando a voz das armas é mais alta do que a voz da razão. Sou um palestino que cresceu em um campo de refugiados e vive com o trauma transgeracional das atrocidades israelenses cometidas contra o povo palestino. Como podemos hoje nos elevar à nossa responsabilidade moral e social para refletir sobre a guerra atual?

Alguns usam o histórico de violência israelense na região para inocentar o Hamas. Outros consideram injusto pedir aos palestinos um equilíbrio de "moralidade" enquanto sua humanidade (ou sua condição de "animais humanos" como o ministro da Defesa de Israel os chamou) está em jogo. E esse equilíbrio está em julgamento.

Acho que a relutância de alguns de nós em fazer julgamentos morais sobre as ações do Hamas, mesmo que elas pareçam ostensivamente erradas ou politicamente desastrosas do ponto de vista de um observador imparcial, resulta de não conseguirmos imaginar como agiríamos e reagiríamos se vivêssemos em uma prisão a céu aberto, na mesma realidade terrível. Ao refletir sobre a guerra palestino-israelense, acredito que devemos usar o mesmo critério para condenar qualquer ataque que não discrimine entre civis e combatentes, independentemente do contexto.

No entanto, eu me recusei a refletir sobre essa guerra depois de 7 de outubro. Muitos interpretam o atual conflito como uma rememoração da guerra de 6 de outubro de 1973, quando os exércitos árabes surpreenderam Israel. Mas, para mim, o mais marcante é que ela se dá 30 anos após a assinatura dos Acordos de Paz de Oslo, em 1993, entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e Israel.

Refletirei sobre esses acordos e seu legado duradouro, o que poderia explicar, pelo menos parcialmente, como Israel intensificou sua opressão: cruelmente escalada por sucessivos governos para completar o trabalho dos colonizadores, a eliminação dos palestinos e a estabilização do regime de apartheid

São 30 anos de violação cotidiana das leis internacionais pelas forças militares israelenses e seus colonizadores armados

O acordo de paz levou à criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP) nos territórios palestinos ocupados, com o objetivo de proporcionar um governo autônomo provisório por apenas cinco anos, enquanto as negociações resolviam as principais questões pendentes do conflito. Hoje, três décadas depois, a ANP continua em vigor, mas vem perdendo sua legitimidade, uma vez que 60% da Cisjordânia está hoje sob controle israelense e Gaza está na situação que está. São 30 anos de violação cotidiana das leis internacionais pelas forças militares israelenses e seus colonizadores armados.

Embora eu há muito defenda a solução de um Estado (secular e democrático), não sou contra um processo de paz em si e não posso dizer que, em princípio, somente uma guerra pode restaurar os direitos justos dos palestinos. Ao contrário do esporte nacional de amaldiçoar o processo de paz de Oslo, testemunhei, em certo momento, o potencial de criar uma dinâmica propícia a compromissos dolorosos de ambos os lados, pelo menos para compartilhar territórios. Entretanto, esses acordos foram tão ruins em certos aspectos que criaram a pior dinâmica imaginável.

Em 1998, quando eu morava em Ramallah, tive uma longa discussão sobre a ausência de um item nos acordos de Oslo para acabar com os assentamentos israelenses nos territórios ocupados com meu querido e falecido amigo Ilan Halevi, na época assessor do ministro das Relações Exteriores da Palestina, Nabil Shaath. Ele me pediu para acompanhá-lo em um jantar com Shaath na semana seguinte.

Fui muito bem preparado com minhas críticas, especialmente sobre os assentamentos israelenses nos territórios ocupados. Shaath admite que essa questão foi o maior obstáculo nas negociações e que, devido à estrutura de poder, não havia como os israelenses aceitarem parar de construir os assentamentos, o que ele considerava um "grande erro". Além disso, argumentou que o ponto do Acordo de Oslo que delimita "que ninguém pode mudar a geografia sem o consentimento da outra parte" era tão amplo que poderia ser interpretado em todas as direções. De fato, os pobres negociadores palestinos depositaram sua confiança na comunidade internacional para forçar Israel a parar de construir seus assentamentos ilegais.

As estatísticas da ONU mostram que o número de assentamentos triplicou em 2000 (de 110 mil para 450 mil), ou seja, após sete anos. Agora, estimamos que sejam 700 mil. Além disso, Israel rouba rotineiramente a água dos aquíferos subterrâneos palestinos para uso dos colonizadores, enquanto priva os palestinos do acesso à sua própria água.

De espaço-cídio a genocídio

Entre 1999 e 2004, morei nos territórios palestinos ocupados, no coração da Segunda Intifada. Naquela época, eu estava muito interessado na questão dos refugiados palestinos, mas também na sociologia política desse conflito. Foi aí que desenvolvi o conceito de espaço-cídio.

Para mim, o projeto colonial dos israelenses é "espaço-cida" (em oposição a genocida), no sentido de que se concentra na terra para tornar inevitável a transferência "voluntária" da população palestina, principalmente por ter como alvo o espaço em que o povo palestino vive.

O espaço-cídio é uma ideologia deliberada com um processo racional unificado, embora dinâmico, porque está em constante interação com o contexto emergente e as ações da resistência palestina. Ao descrever e questionar diferentes aspectos dos aparatos militar-judicial-civil, ficou claro que a realização do projeto espaço-cida se torna possível por meio de um regime que emprega três princípios: a colonização, a separação e o Estado de exceção, que faz a mediação entre esses dois princípios aparentemente contraditórios.

Entre 2008 e agosto deste ano, 6407 palestinos foram mortos pela máquina militar israelense contra 308 israelenses – uma proporção de 21 para 1

Mas desde 2005, a violência israelense tornou-se tão cruel que desafia todas as leis internacionais, humanitárias e de direitos humanos. Seguindo Giorgio Agamben, a descrição detalhada do regime de ocupação mostra que a suspensão da lei e o abandono da vida não se sobrepõem completamente.

A negação da cidadania palestina e a substituição do Estado de direito por uma tapeçaria de regulamentos, procedimentos e decretos caracterizaram o regime de ocupação desde seu início e lançaram as bases para o abandono mais ativo e violento da vida palestina nos últimos anos (Ophir, Givoni e Hanafi 2009).

Apenas para dar um exemplo dessa brutalidade israelense, entre 2008 e agosto deste ano, 6407 palestinos foram mortos pela máquina militar israelense contra 308 israelenses. A proporção de 21 para 1 repete para o número de feridos – 152.560 palestinos contra 7.307 israelenses, de acordo com as estatísticas da ONU.

De janeiro a setembro de 2023, mais de 223 palestinos e quase 30 israelenses foram mortos sem serem noticiados pela mídia ocidental. Desde 7 de outubro, 1.200 israelenses (22 deles crianças) foram mortos contra mais de 11 mil palestinos (4.670 deles crianças) em Gaza. Israel costumava estabelecer a taxa de câmbio entre um ser humano israelense até 21 vezes mais valioso do que um "animal" palestino.

Ainda hoje, alguns ministérios israelenses recomendam a expulsão de todos os palestinos de Gaza. A falta de esperança gera niilismo. Como Johann Goethe já nos lembrava, "perigoso é aquele que não tem nada a perder". Eles resistirão enquanto Israel realiza sua segunda nakba genocida contra os civis em Gaza. Todas essas baixas não podem ser interpretadas como danos colaterais, como o Exército israelense costuma argumentar.

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Na verdade, o que acontece é legalmente um genocídio. Segundo a lei internacional, genocídio acontece quando atos são "cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso". Essa é a definição dada pela Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio de dezembro de 1948. O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, deixou essa intenção genocida perfeitamente clara em 9 de outubro, quando ordenou um "cerco total" a Gaza: "Não haverá eletricidade, nem comida, nem combustível, tudo está fechado. Estamos lutando contra animais humanos e agimos de acordo".

Esse gueto está sob cerco israelense (com a cumplicidade do Egito) desde 2007. Não há refúgio em uma massa de terra minúscula, de 40 km de comprimento por cerca de 8 km de largura. Atualmente, Israel cortou o fornecimento de alimentos, combustível, água e eletricidade, provocando uma terrível crise humanitária.

7 de outubro: Erro estratégico?

Vemos que a ocupação israelense tem sido tão feia na Cisjordânia como na prisão a céu aberto de Gaza. Assim, sociologicamente, por que esperar que a resistência seja bonita? Historicamente, temos exemplos semelhantes. Norman Finkelstein nos lembra como são feias as revoltas de escravos nos EUA, que nem o sociólogo negro americano W.E.B. Du Bois nem o reformador social e abolicionista americano Frederick Douglass sequer conseguem criticar.

David Rovics também compara o que aconteceu em 7 de outubro ao Levante do Gueto de Varsóvia, na primavera de 1943, quando a Organização Judaica de Combate forçou o exército alemão a retirar as tropas da linha de frente na guerra perdida contra a URSS para enfrentar esse grupo de civis famintos e suas armas caseiras, em que ninguém esperava que um punhado de judeus derrotasse o exército alemão.

Assim, até mesmo os palestinos que pagaram o alto preço mostram hoje que preferem morrer rapidamente a morrer lentamente e que preferem lutar de pé pela justiça e pela liberdade a morrer de joelhos em humilhação.

Cumplicidade política e militar do Ocidente

Os palestinos, após décadas de silêncio árabe e internacional frente ao contínuo projeto israelense de colonização e apartheid, agem como um divisor de águas. A arrogância finalmente tomou conta de Israel e alguns países árabes. Por muito tempo, os líderes israelenses se consideraram invencíveis e subestimaram repetidamente seus inimigos.

Podemos falar em termos gerais de uma divisão na comunidade internacional: quase todo o Norte Global apoia a retaliação desproporcional de Israel, enquanto o Sul Global, com um grande peso do Irã, da Rússia e da China, defende um cessar-fogo e um processo de paz.

As manifestações, apesar de algumas proibições, foram colossais em quase todas as principais cidades do mundo, inclusive no Ocidente. Na verdade, o bombardeio israelense ao Hospital Árabe al-Ahli em Gaza, fundado em 1882 e administrado pela igreja anglicana, matou cerca de 500 palestinos, provocando indignação global com o massacre de civis, muitos dos quais se abrigavam do bombardeio israelense implacável ao enclave sitiado.

Apesar da verificação independente, alguns meios de comunicação e políticos ocidentais promoveram a alegação israelense de que esse hospital foi simplesmente bombardeado. Está mais do que na hora de os israelenses/americanos/britânicos/franceses/alemães darem ouvirem as lições da história.

Quantas vezes ouvimos que o Hamas quer destruir Israel sem perguntar como Israel está efetivamente destruindo os territórios ocupados?

Sua maneira de tornar os criminosos anônimos os torna cúmplices. Sua recusa prolongada em lamentar as crianças e os civis palestinos que foram mortos viola os valores liberais que tanto promovem. Quantas vezes ouvimos que o Hamas quer destruir Israel sem perguntar como Israel está efetivamente destruindo os territórios palestinos ocupados?

Alguns desses países (especialmente a Alemanha e a França) não apenas apoiam o projeto colonizador israelense, mas também proíbem qualquer manifestação ou porte de bandeira palestina ou de Kofiyya. Defendem a noção de que submeter Israel aos mesmos padrões do direito humanitário internacional que usamos para avaliar a conduta do Hamas é antissemita.

Eles aceitam que o direito de Israel de existir equivale ao direito de Israel de aniquilar o povo palestino (seja em massa, como em Gaza, ou lentamente, como na Cisjordânia). Gaza continua sendo um território ocupado de acordo com a quarta Convenção de Genebra, o que transfere a Israel a responsabilidade primária de proteger a população civil ocupada. Esse enquadramento torna inaplicável o discurso de "guerra" de Israel e o "direito de autodefesa".

Isso não diz respeito apenas aos políticos que se preocupam com grupos de interesses necessários para sua reeleição, mas também a muitos acadêmicos. Atualmente, podemos ler críticas às ações israelenses em Gaza no jornal israelense Haaretz mais do que em muitos jornais europeus. Até mesmo a Associação Sociológica Israelense é mais crítica em relação à violação israelense das leis internacionais do que outras associações nacionais na Europa.

Todos nós nos lembramos de como Robert Badinter promulgou, com razão, a abolição da pena de morte na França em 1981. Mas sua esposa Élisabeth Badinter, filósofa e feminista, com sua recente declaração promulgou a pena de morte coletiva para o povo de Gaza.

Não é preciso dizer que no Ocidente há acadêmicos honestos e defensores dos direitos humanos como Craig Mokhiber, diretor do escritório de Nova York do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos (ACNUDH). Ele renunciou em 31 de outubro através de uma carta de demissão contundente na qual criticou a cumplicidade da ONU e do Ocidente com os abusos israelenses.

No entanto, testemunhamos um novo fenômeno: pela primeira vez, as universidades americanas têm forte apoio à luta do povo palestino e o mesmo apoio na Europa. Vemos diversas petições assinadas por centenas, até mesmo milhares, de acadêmicos ocidentais contra a guerra em Gaza e pedindo o fim da ocupação dos territórios palestinos, apesar da caça às bruxas contra professores e pesquisadores no Reino Unido, na França e na Alemanha por simplesmente publicarem nas redes sociais seu ponto de vista, considerado uma "apologia ao terrorismo".

Atualmente, as autoridades políticas ocidentais contam com os chamados líderes árabes moderados para pacificar os palestinos enquanto esse projeto colonizador se concretiza. Elas confiaram no acordo saudita-israelense, que teria secado o financiamento dos setores privado e estatal sauditas e pressionado os palestinos a aceitar menos do que uma solução justa para sua situação. No mês passado, o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, afirmou com confiança: "A região do Oriente Médio está mais tranquila hoje do que esteve em duas décadas".

A crença de que Israel é um país secular incapaz de fazer algo de errado ofusca seu discernimento crítico do Ocidente

O 7 de outubro nos deixou algumas difíceis lições: que a sensação de estabilidade no Oriente Médio é fictícia; que estamos atravessando um fracasso da imaginação; e que a falta de uma solução para a causa palestina pode levar a região à beira do abismo.

Alguém poderia se perguntar por que o Ocidente é tão cúmplice do projeto colonizador israelense. É claro que a lembrança do Holocausto permanece forte, mas a crença de que Israel é um país secular incapaz de fazer algo de errado ofusca seu discernimento crítico.

Se analisamos a extensão dos assentamentos nos territórios ocupados, vemos que os líderes israelenses de esquerda o fizeram mais do que os de direita. Lembro-me de uma palestra pública de Alain Touraine na École des hautes études en sciences sociales (EHESS) em Paris, em 1993, em que ele evocou o "milagre" israelense de absorver 150 mil judeus russos no período de um ano. Quando questionei esse milagre, uma vez que alguns desses emigrantes se estabeleceram ilegalmente nos territórios ocupados, ele respondeu: "Esses imigrantes mudarão a equação: eles cresceram na União Soviética, são seculares e, portanto, apoiarão o processo de paz". Ele não sabe que esses criaram o partido político de extrema-direita Israel Our Home e se aliaram ao movimento de colonizadores religiosos na Cisjordânia..

A leitura do conflito árabe-israelense continua dominada por um secularismo islamofóbico que promove a ideia de que devemos apenas ser contra o Hamas. Ao colocá-lo na mesma categoria que o ISIS, o Hamas se torna o alvo a ser eliminado e os palestinos de Gaza em homo sacer (Agamben 1998), que podem ser mortos sem que seus assassinos sejam responsabilizados.

Quem representa os palestinos?

Alguns contestam que o Hamas representa uma parte importante do povo palestino. O Hamas tem, de fato, um apoio relevante do povo palestino, tanto nos territórios ocupados como na diáspora. O Hamas foi eleito pelo povo palestino em 2006, com uma ideologia clara. Na época, vi amigos cristãos votarem a seu favor. Eles ainda vencem as eleições para o corpo estudantil nas universidades palestinas da Cisjordânia, mesmo nos últimos cinco anos.

Sua popularidade se deve à falta de uma solução política com Israel e à necessidade de tornar o atual projeto colonizador israelense oneroso para Israel. Isso deixa os palestinos com o Hamas como o único grupo que realmente trabalha para seus interesses de forma real.

Aqueles que contestam as ações do Hamas deveriam nos dizer por que a autoridade palestina "moderada" foi incapaz de forçar Israel a desistir da Cisjordânia e acabar com a ocupação. Essa autoridade não tinha cartas nas mãos depois que seus líderes se tornaram dependentes da renúncia incondicional à violência contra Israel em troca de seu sustento e da ajuda dos países ocidentais e árabes.

Não conheço nenhum projeto colonizador que tenha sido despejado somente por meio de negociação antes de que um certo equilíbrio de poder tenha sido estabelecido, o que faz que esse projeto seja muito caro. A Argélia conseguiu sua independência à custa de 1,5 milhão de mártires. Os palestinos tentaram a não-violência de Gandhi por pelo menos 30 anos desde o processo de Oslo, sem nenhum resultado.

A história não pode ser considerada como eventos isolados, mas como movimento e contingência. Estados e sociedades respeitam atores fortes, por bem ou por mal. Sabemos que muitos países reconheceram Israel após a guerra de junho de 1967. Agora o Irã foi imposto como um importante ator geopolítico. O Hamas é o mesmo.

As pessoas da minha região sentem que o Tsunami de Al-Aqsa devolveu a dignidade aos palestinos e àqueles que acreditam na justiça. Esse lado emocional/psicológico é muito importante para aqueles que têm defendido a justiça enquanto observam tantas violações das leis humanitárias e de direitos humanos por parte de Israel.

É um divisor de águas, mas ainda não sabemos em que direção. Continuo esperançoso de que essa guerra forçará Israel e a comunidade internacional a pressionar por uma solução política justa ou, pelo menos, a dialogar em pé de igualdade, o que está de acordo com meu recente apelo por um projeto liberal de diálogo. Temo o que parece estar prestes a acontecer em Gaza e talvez no Líbano.

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