Quem representa um perigo maior para a democracia brasileira? Bolsonaro – um político irredimível e líder populista – ou o Centrão – uma coalizão partidária que prioriza os ganhos financeiros e as posições de poder sobre qualquer agenda política?
As campanhas de Boulos e de Manuela D’Ávila apontaram o caminho para um desfecho agradável desse teatro do absurdo: solidariedade, união, diálogo, criatividade e trabalho de base, mas também a coragem de apontar aqueles, dentre estes, que já viraram rinocerontes de Eugène Ionesco.
As eleições municipais de 15 de novembro mostraram que a direita moderada derrotou o bolsonarismo de extrema-direita e que a esquerda continua fraca, mas viva, no Brasil.
Bolsonaro continua se comportando como se estivesse fora do “sistema” e constantemente se distancia de qualquer evento que não pareça favorável à sua popularidade.
“Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família. Então vote em outro candidato", disse Bolsonaro em 2017. Hoje, ele pretende co-optar o projeto social de Lula com o Renda Cidadã.
Sem sombra de dúvida, a ascensão da extrema-direita no Brasil no rastro da Operação Lava Jato rima bastante com a acensão da extrema-direita na Itália na sequência da Operação Mani Pulite.
Jair Bolsonaro, um presidente sem partido, minimiza o papel da mobilização política e alimenta a despolitização e a antipolítica, enquanto celebra a erosão das estruturas democráticas que o levaram ao poder.
Há indícios de que as queimadas deste ano serão piores do que a de 2019, que escandalizaram o mundo. Como investidores internacionais estão lidando com a questão?
Disseminados por aliados do 'Clã Bolsonaro', discursos de ódio são crescentemente usados para legitimar violência física e institucional contra minorias.
O Brasil tem a capacidade pública, privada e sem fins lucrativos de conter e controlar o vírus. Para que isso aconteça, todavia, falta encarecidamente uma liderança competente.
Como um país que administrou com êxito crises sanitárias passadas está chocando o mundo durante o caos da Covid-19? A politização da saúde é uma resposta.
O quadro atual nos presídios pode ser lido como a continuação da plataforma de campanha de Bolsonaro — a da necropolítica, na qual o Estado decide quem vive e, sobretudo, quem morre.